Os Recursos Biológicos constituem potenciais fontes de rendimento com grandes benefícios para a população, se forem geridos de forma sustentável



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2.3. Ecossistema De Águas Interiores

A rede hidrográfica do país possui um carácter radial, da parte central à linha da costa e é formada por mais de 50 cursos de água com comprimento médio entre 5 e 27 km.














Fonte: http://www.stome.net + links + http://www.janelanaweb.com/viagens/stome.html
Mais de 60% do caudal dos mesmos estão localizados na parte sudoeste de S. Tomé. Os rios de maior caudal na ilha de S. Tomé são Iô Grande, Caué, Musucavú (vulgarmente conhecido por Mussacavu), Quija, Xufexufe e Lembá, Abade, Manuel Jorge, do Ouro e Contador. No Príncipe, sobressaem os rios Papagaio e S. Tomé.
Um conjunto de pequenas lagoas encontra-se distribuído por todo o território, com destaque para Malanza, Praia Grande, Água Casada e Lagoa Amélia.

Os ecossistemas de águas interiores em S. Tomé e Príncipe podem ser classificados em três grandes grupos, segundo as respectivas condições de vida:


Grupo dos Lóticos - os formados nas águas correntes, tais como os rios, ribeiras, nascentes e outros;
Grupo de Águas Salobras – os que se formam na foz dos rios, isto é, na intersecção entre a água doce e a água salgada do mar;
Grupo de Lênticos - os que se formam no interior das águas paradas, tais como, os pântanos, charcos, lodos, etc.

2.3.1. Grupo dos Lóticos

De forma geral, existe uma certa homogeneidade nas características dos ecossistemas dos diferentes rios do país, com excepção dos situados na área de savana, no norte de S.Tomé.

As condições de vida nos diferentes rios modificam-se da nascente à foz. Sucedem-se assim diferentes tipos de ecossistemas, que correspondem a comunidades distintas, nos diferentes estratos do rio.
Em cada um desses estratos, encontramos uma fauna e uma flora que lhe são característicos. É de salientar que, enquanto a componente da flora é bastante rica pelo número de espécies que se localizam na berma dos diferentes rios, o mesmo já não acontece com a fauna aquática, que é relativamente pobre em número de espécies.
Para o presente estudo, dividiu-se os rios em três estratos, de acordo com as características dos ecossistemas presentes.

2.3.1.1. Estrato Superior dos Rios

Engloba toda a parte inicial dos rios incluindo as suas nascentes. A vegetação predominante é a da floresta primária. Podem distinguir-se várias comunidades vegetais à volta dos rios.


No estrato superior dos rios situados ao sul e sudoeste do país, isto é, Cantador, Lembá, Xufexufe, Quija, Mussucavú e Iô Grande, pode-se encontrar a comunidade de vegetação Staudtia pterocarpa, formada pelas espécies, Staudtia pterocarpa, Santiria trimera, Phyllanthus discoideus e Pycnanthus angolensis, associadas à Vocanga africana, Croton draconopsis Grumilea venosa, entre outras.
Nos rios situados na parte Norte e Este, tais como Manuel Jorge, Abade e Ouro, o estrato superior é dominado pela comunidade de vegetação Craterispermum montanum, onde predominam as espécies Craterispermum montanum, Anysophyllea cabole, Olea capensis, Canthium glabriflorum, associado à Croton stellulifer, Treme guineensis, Sabicea ingrata e Uapaca guineensis.
Na ilha do Príncipe, o estrato superior do rio Papagaio é formado pela floresta de tipo primária, onde se podem encontrar espécies tais como Rinorea insularis, Ouratea nutans, Casearia manii e Erythrococca colummnaris.
Em todos os rios do país observam-se neste estrato as criptogâmicas (algas, hepáticas e musgos) assim como algumas herbáceas, tais como Tristemma mauritianum, Rhynchospora corymbosa. No que respeita à fauna, a mesma é caracterizada pela ausência de espécies ictiológicas, apresentando apenas algumas planárias.

2.3.1.2. Estrato Médio

Abarca todo o curso médio dos rios, isto é, o comprimento médio, que vai da nascente à foz.


A vegetação predominante é a dos vales dos rios. A comunidade de vegetação predominante é a Syzygium guineense, formada pelas espécies Syzygium guineense, Croton stellulifer, Homalium africanum, Voacanga africana, associada à Carapa procera, Drypetes glabra, Funtumia africana e Leca tinctoria.
Esta vegetação está também associada a um estrato herbáceo, onde se podem encontrar as seguintes espécies: Eclipta prostrata, Begonia ampla, Costus giganteus, Adenostemma perrottetii, Panicum sp, Calvoa hirsuta, Elatostema thomense, entre outros.
A fauna é constituída por peixes de pequenos tamanhos, tais como Eleotris vittata (charoco) assim como por alguns crustáceos, Atya e Macrobrachium e Sicydium bustamantei (camarão de água doce).

2.3.1.3. Curso inferior

Compreende a parte baixa dos rios, na zona da floresta secundária, está associada a áreas de floresta produtiva, onde se podem encontrar as espécies de Syzygium guineense, Malnikara multinervis e Staudtia pterocarpa.


A comunidade de vegetação predominante é a Musanga cecropioides, em que estão presentes as espécies Musanga cecropioides, Cedrella odorata, Cecropia peltata, Carapa procera, Ficus sidiifolia, Dracaena arborea, associada à Artcarpus integrifolia, Artocarpus incisa e Elaeis guineensis.
A comunidade Bambusa vulgar é também característica deste estrato, assim como do estrato médio, formando em alguns casos uma cortina quase impenetrável de vegetação, como existe, por exemplo, na zona do rio Iô Grande.
A fauna é constituída pelas planarias, tais como Platelmintas turbelários, aquáticos de pequenas dimensões (1 a 2 cm) que se deslocam por meio de cílios. Foram observadas em São Tomé, no rio Iô Grande, e no Príncipe, no rio Papagaio. Podem ser ainda encontradas com facilidade nos pequenos riachos.
As aves são formadas por Alcedo cristata thomensis (Conóbia, Pica-peixe), que se alimentam de peixes existentes nos rios. Também se podem encontrar nas margens dos rios Phalacrocorax africanus (Pata de água), Butorides striatus (Chuchu ou Garça-de-cabeça-negra), Gallinula chloropus (Galinha-de-água).

2.3.2. Grupo de Águas Salobras

A flora é bastante rica, formada por comunidades de vegetação, onde se podem encontrar as seguintes espécies: Synedrella nodiflora (F. Asteraceae) - arbusto, Justicia tenella (F.Acanthaceae) - arbusto, Stellaria media (F. Caryophyllaceae) - arbusto, Nephrolepis biserrata (F.Oleandraceae) - Ferro, Struchium sparganophorus (F. Asteraceae) - arbusto, Stearia megaphylla, Commelina diffusa, Achyranthes aspera, Selaginella sp, Vigna gracilis, Cyperus sphacelatus, Nelsonia canescens, Simithii, Oldenlandia lancifolia etc.


A riqueza faunística deste ecossistema deve-se provavelmente a uma certa abundância de alimentos nesta zona. Predominam pequenos peixes, podendo encontrar-se, dentre outros, o Eleotris vittata (charoco) e Pomadasys jubelini, Plynemidae.

É de se destacar também a presença de moluscos, tais como Neritina afra (Caramuso), Neritina manoeli, Bulinus forskalii, assim como Schistosoma intercalum, responsável pela bilharziose, detectada recentemente em São Tomé e Príncipe (Brown, 1991, 1994).


Esta constitui também uma zona rica em Crustáceos, podendo-se encontrar espécies tais como Cardisoma amatum (caranguejo). Foram identificados dois géneros de camarões: Macrobrachium e Atya com respectivamente 2 espécies cada: Macrobrachium zariquieyi e Macrobrachium raridens; Atya intermedia e Atya scabra. As duas espécies de Macrobrachium representam os camarões brancos, muito apreciados e procurados no país.
Na foz do Rio Ió Grande é comum a presença dos tubarões, que aproveitam a abundância de pequenos peixes para se alimentarem.


Rio Ió Grande – Sul de São Tomé

2.3.3. Grupo de Lênticos

A flora é formada fundamentalmente por algas verdes, com exemplares dos géneros Pandorina, Scenedesmus, Closterium, Cosmariume algas azuis, formadas por Oscillatoria e Diatomées: Navicula.


Fazem ainda parte da flora das áreas de água parada, os vegetais submersos, compostos por Potamogeton, e os flutuantes, formados por Sagitaria, Nuphar e Nymphaea.
Um conjunto de Lagoas, distribuídas por todo o território nacional, formam os ecossistemas lênticos no país, destacando-se as seguintes:
Lagoa Malanza – Situa-se no Sul de S.Tomé, no Distrito de Caué, entre o Porto Alegre e a Praia Jalé.


A flora é fundamentalmente constituída pelos mangues e constitui a maior área de mangues no país. Podem-se encontrar espécies tais como Acrostichum aurem, que formam normalmente grandes arbustos, de mais de três metros de altura, associadas à Scleria depressa. Podem também ser encontrados densos matagais de Risophora racemusa e Avicennia germinans, assim como populações de Dalbergia ecastaphyllum, associadas à Ormocarpum verrucosum e Blutaparon vemiculare



Lagoa Malanza – Sul de São Tomé

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Ainda na zona sul, no distrito de Caué, podem-se encontrar grandes extensões de água parada (10.590 m2), tais como as de Praia Grande, localizada perto da foz do rio Caué, e S.João, perto da foz do rio São João, cujas vegetações estão também dominadas pelos mangais Malanza, EMOLVE, Porto Alegre e Ió Grande(ENPAB – Águas Interiores, 2002).
No norte, particularmente no Distrito de Lobata, pode-se encontrar também uma grande superfície inundada (104.205 m2), em que a vegetação predominante é também o mangue, constituída exclusivamente pela espécie Avicennia germinans (ENPAB – Águas Interiores, 2002).
No centro de S.Tomé, no Distrito de Mé Zochi, está localizada na cratera do antigo Vulcão, a Lagoa Amélia. A mesma é formada por uma vegetação constituída por um manto herbáceo bastante denso, em que predominam gramíneas tais como Panicum hochstetteri. stend e Panicum brevifolium L., que são plantas invasoras de zonas húmidas da África Equatorial, albumas ciperáceas, tais como a Cyperus articulatus L. e Poligonum salicifolium. Existe também uma população de fetos (Pteridófitas), da família das Polipodiáceas e Hymenofoliáceas, que são fetos gigantes, muito abundantes e característicos da região. Finalmente, podem ser também encontradas algumas orquidiáceas, tais como o Bulbophyllum cocleatum.
A fauna é fundamentalmente formada por aves que utilizam para a sua alimentação tanto as algas como alguns insectos predominantes. Ela é constituída por: Phalacrocorax africanus (Pata de água), Butorides striatus (Chuchu ou Garça-de-cabeça-negra), Gallinula chloropus (Galinha-de-água).
Destaque-se igualmente a presença de peixes que pertencem à ordem dos Protóperos, tais como os Dipnósticos (Cucumba), que possuem “guelras externas” que lhes permitem obter uma respiração aérea.
Alguns crustáceos fazem também parte da fauna destas áreas, tais como Cardisoma amatum (caranguejo), da família dos Gecarcinidae, que constroem os seus habitats escavando buracos à volta dos pântanos.
Os Batráquios e Anfíbios constituem uma pequena classe de vertebrados que também fazem parte da fauna destas zonas. Podem-se encontrar exemplares da ordem dos Anoures, podendo-se citar as Rana (rãs) e Bufo (sapos) e algumas Hyla (rainetas). Pode-se igualmente citar a presença da Ápodes (cobra bôbô), que embora não seja específica de ambientes aquáticos, frequenta meios húmidos, construindo galerias como as minhocas (cormichas).
Os répteis fazem também parte da fauna existente nesta zona. Podem-se encontrar Quelônios, tais como: Pelusio castaneus (“bencú” de pântanos) e Pelusio gabonensis (“bencú” de floresta). Os “bencús”, que são espécies cada vez mais raras nos nossos ecossistemas, têm uma tendência para diminuição dos efectivos. Há falta de informação sobre o número da população, o estatuto e a distribuição de ambas as espécies, pelo que se torna necessária a realização de estudos para o conhecimento da taxonomia, biologia reprodutiva e ecologia das duas espécies (ENPAB-Ecossistemas de Águas Interiores, 2002)

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