Os Recursos Biológicos constituem potenciais fontes de rendimento com grandes benefícios para a população, se forem geridos de forma sustentável



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2.4. Ecossistema Florestal

As primeiras e mais completas investigações realizadas sobre a vegetação de São Tomé e Príncipe foram levadas a cabo nos anos de 1932 e 1933, pelo investigador Excell e publicadas nos anos de 1944 e 1956, respectivamente.


Outras informações e análises sobre as florestas nacionais foram realizadas pelo investigador Monodo, que visitou a ilha em 1956, e publicou o seu trabalho em 1960 e pelo investigador White, que fez a sua publicação em 1984.
Segundo Excell, excluindo algumas zonas de mangue muito pequenas e de dunas de areia na costa, a vegetação original de São Tomé era constituída por florestas húmidas que cobriam uniformemente a ilha desde o litoral até ao cume do Pico de São Tomé. No seu trabalho, o mesmo distinguiu três zonas florestais bem definidas em São Tomé.


  • Zona de Floresta húmida de baixa altitude

  • Zona de Floresta de montanha

  • Zona de Floresta de nevoeiro

Tal como ilustra a tabela, segundo Exell, os principais ecossistemas florestais existentes em São Tomé e Príncipe, são:




  • Floresta de baixa altitude, 0 – 800 m;

  • Floresta secundária;

  • Floresta seca;

  • Floresta de sombra para o cacau e o café;

  • Savanas arbustivo-arbóreas e herbáceas;

  • Mangais;

  • Floresta primária de altitude (de montanha), que compreende a Floresta de nevoeiro, a Floresta de altitude média> 1000 e <1800 m e a Floresta de altitude> 1800 e> 2000 m.

2.4.1. Zona de Baixa Altitude, 0 – 800 m

Esta zona ocupa a área que vai desde o nível médio do mar até aos 800 metros de altura. É uma zona inteiramente cultivada ou secundarizada, com excepção de pequenos lembos da floresta do sul da ilha. Exell (1944) sita as seguintes espécies arbóreas endémicas: Rinorea chevalieri, Chytranthus mannii (Pessegueio de São Tomé), Drypetes glabra, Polyscias quintasii (Guêgue-Fasso), Celtis philipensis (Pau Fédé). Podem-se também encontrar as lianas, os arbustos e ervas endémicas tais como, Rhabdophyllum arnoldianum var bocageanum, Cissus curvipoda, Leea tinctoria (Cele-alé), Mussaenda tenuiuflora. As essências características da floresta de baixa altitude são o Protomegabaria macrophylla (Mangue d’ôbô), Celtis philipensis (pau cabolé, Mussanga cecropioides (gofe d’óbô).


Actualmente, esta zona foi quase totalmente cultivada, estando grande parte da sua área (cerca de 90 %) ocupada com as plantações de cacau, café, banana, coco e outras frutas tropicais.
2.4.2. Floresta seca
Esta formação vegetal ocupa as regiões limítrofes de Guadalupe, englobando as margens de Água Castelo, Água de Guadalupe e Rio de Ouro, sendo instalada nas zonas com pluviosidade compreendida entre 1.000 e 1.500 mm por ano, com um período seco bem marcado.
Na camada mais alta desta formação, aparecem árvores de folha caduca, tais como a Milícia excelsa (Amoreira), Spondias microcarpa (guêgue) e Ficus mucuso (Figo plocô), enquanto que no sub-bosque, podem-se encontrar arbustos que, muitas vezes, são ameaçados pelo fogo, tais como Ophiobotrys zenkeri (Stala-stala), a Oncoba spinosa (malimboque) e Ochna membranacea (pau dumo).

2.4.3. Floresta Secundária

Este tipo de formação vegetal ocupa perto de 30% da superfície do país. Na ilha de S.Tomé, a mesma cobre uma área de cerca de 26. 000 ha e, no Príncipe, cerca de 4 000 ha.


Ela apresenta uma composição florística caracterizada principalmente por espécies exóticas e cultivadas e espécies pioneiras, com crescimento rápido, que se naturalizaram, formando algumas comunidades de vegetação, tais como de Bambusa vulgaris (Bambú), Cecropia peltata (Gofe), Maesa lanceolata (Mutopa), Dracaena arborea (Pau Sabão), Ficus spp. (Figueiros), Harungana madagascariensis (Pau sangue), Cestrum laevigatum (Coedano), etc.

Neste grupo, pode-se ainda incluir outras espécies arbóreas, tais como Pycnanthus angolensis (Pau-caixão), Pentaclethra macrophylla (Muandim), Artocarpus altilis (Fruta pão), Artocarpus heterophylla (Jaqueira), Treculia africana (Izanquenteiro), Antiaris welwitschii (Amoreira), entre outras.

No que respeita à fauna, podem-se encontrar alguns mamíferos, tais como Cercophitecus mona (macacos), Sus domesticus (Porcos selvagens), quatro espécies de morcegos Myonicteris branchycephala, Hippodsiderus commersoni, Miniopterus minor e Rousettus aegyptiacus, duas espécies de musaranhos, nomeadamente Crocidura thomensis e Crocidura poensis, assim como os ratos Rattus rattus e Rattus norvegicus. Ressalta-se também a presença de pássaros e insectos mal conhecidos.

2.4.4. Floresta de Sombra

Esta formação vegetal cobre cerca de 32 289 ha, isto é, cerca de 32,9% do território nacional. É composta de espécies introduzidas para efeito de sombra e espécies espontâneas que foram poupadas da derruba da floresta original, que competia com as plantações. A cultura cacaueira exige a manutenção do dossel florestal para sombrear as plantas de cacaueiros e de cafezeiros e foi demonstrado que esta prática ajuda a manter altos níveis de biodiversidade florestal nos países produtores (Rice & Greenberg 2000). Elas ocupam normalmente áreas de relevo suave (0-10 %) e alguns morros, tais como o Muquinquim, Saccli e outros que não ultrapassam os 300 metros de altura.

A mesma tem a função de fazer sombras para as plantações de Theobroma cacao (cacaueiros) e Coffea sp. (cafezeiros). A necessidade de regularização de sombreamento e selecção de árvores de sombra com capacidade de fixação de nitrogénio no solo permitiu a introdução de Erythrina sp. (Eritrinas).
È de se destacar a predominância de outras espécies, tais como Milícia excelsa (Amoreira), Cedrela odorata (Cedrela), Fagara macrophylla (Marapião), Carapa procera (Gogo), Scypetalum kamerunianum (Viro branco), Artocarpus heterophylla (Jaqueira), Artocarpus altilis(Fruteira), etc. (Ver Anexos B-2 e B-3).

2.4.5. Savana arbustivo-arbórea e herbácea

Esta formação edafo-climática ocupa uma faixa costeira que se estende desde o Aeroporto de S. Tomé até à cidade de Neves.







Área de Savana – Norte de São Tomé

O clima é semi-árido, com precipitações médias inferiores a 700 mm anual e temperatura média que ronda os 26ºC. Os recursos hídricos são relativamente escassos, existindo apenas uma linha de água alimentada pela Ribeira Castelo. As terras escuras ou negras, de camada arável pouco rico, por vezes pedregosos, permitem a instauração de uma vegetação herbácea constituída pelas seguintes espécies:


Heteropogon contortus, Panicum maximum e Rottboellia exaltatata (Poaceae). Para além desta formação herbácea, predominam árvores e arbustos, nomeadamente, Adansonia digitata (Micondó), Tamaridus indica (Tamarineiros), Barassus aethiopum, Vernonia amygdalina (Libô Mucambú), Erytroxyllum emarginatum, Ximenia americana (Limon plé), Ziziphus abissinica (Zimbrão).
A avifauna é bastante rica, sobretudo em espécies endémicas. É de se destacar o número significativo de Coturnix delegorguei (cordoniz), Crecopsis egregia (codorniz-africano), que abundam na zona.

2.4.6. Mangal

Esta formação vegetal distribui-se pela foz de pequenos cursos de água, tais como na área da Praia das Conchas, Praia dos Tamarinos, Pantufo, Água Izé, Lagoa Malanza e em Lapa, na ilha do Príncipe. As espécies dominantes são: Rhizophora mangle (Rhizophoraceae) e Avicennia germians (Avicenniaceae).


A importância ecológica deste ecossistema revela-se pelo seu papel na protecção da costa, no equilibrio hidro-dinâmico, na retenção de materiais e pelas interacções entre os biotopos e como nascedouro de espécies de peixes e camarões.

2.4.7. Zona de Floresta de Altitude

As principais florestas de altitude são: Floresta primária de altitude (de montanha), que compreende a Floresta de nevoeiro, a Floresta de altitude média> 1000 e <1800 m, a Floresta de altitude> 1800 e> 2000 m.


2.4.7.1. Floresta de altitude> 1000 e<1800 m
Esta formação vegetal circunda o Pico Cabumbé e a Lagoa Amélia. Na Lagoa Amélia, cratera de vulcão extinto, pode-se encontrar uma formação muito particular, onde se hospeda uma vegetação perene, de Panicum hochstetteri e Panicum brevifolium. Para além destas Poáceas, encontram-se também Cyperus articulatus, Poligomum salicifoluium, Tristemma mauritianum, assim como uma grande quantidade




de fetos das familias Polypodiáceas e Hymenofoliáceas. É de se destacar também a predominância das orquídeas raras, tais como, Bulbophyllum cocleatum var. ternuicaule, Solenangis clavata e Diklagella liberica, das quais despontam pequenos arbustos, tais como Heteradelphia paulowilhelmia, Rapanea melonophoeos e Schefflera manni.







Cascata de S. Nicolau – Centro de São Tomé
A fauna ornitológica é bastante rica, sobretudo em espécies endémicas (Ver Anexo B-6).
2.4.7.2. Floresta de altitude> 1800 e> 2000 m
Esta floresta, que circunda Mesa do Pico (1850 m), Pico Ana Chaves, caracteriza-se por apresentar pluviosidade muito elevada, com nevoeiro quase constante, a temperatura sempre baixa, embora não atinja os 0°C. As árvores são muito baixas, as epifitas são muito numerosas. A esta altitude, as endémicas que lá aparecem são representadas por Pinheiro-de-São Tomé (Podocarpus mannii), Psychotria guerkeana, Psychotria nubicola, o tchapo-tchapo d’obô (Peddiea thomensis), Calvoa crassinoda, Pilea manniana, Erica thomensis e Lobelia barnsii. As orquídeas, os fetos, os musgos e líquenes são também frequentes.
2.4.7.3. Floresta de nevoeiro
Esta zona vai desde os 1400 a 2024 metros de altitude (Exell), circunda o pico de São Tomé e pico Pequeno.





A floresta sobe até ao cimo do Pico e nas áreas de maior altitude as árvores são mais pequenas e a cobertura é mais aberta. A luminosidade é muito reduzida devido aos constantes nevoeiros e as temperaturas são baixas. As epífitas são muito mais abundantes e os samambaias constituem um elemento importante da flora até ao cimo. Não se observam as ervas da montanha. Devido à dificuldade de acesso e o declive do relevo predominante, este habitat não apresenta qualquer modificação causada pela acção humana e mantém-se intacto.

Pico Cão Grande – Sul de São Tomé
Esta formação vegetal é caracterizada pela presença de Podocarpus mannii (Pinheiro de S.Tomé), única gimnospérmia endémica. Ainda na região de Pico de S.Tomé, aos 2024 metros de altitude, pode-se encontrar Phylippia thomensis e Lobelia barnsii (lobélia gigante endémica). As orquídeas, fetos, musgos e líquenes são também frequentes.
Segundo Toelen (1995), as árvores mais abundantes na floresta de nevoeiro em S.Tomé são a Tabernaemontana stenosiphon (Cata d’Ôbô), (Pseudogrostistachys africana Cacau d’Ôbô), Homalium henriquensii (Quebra machado), Rothmannia urcelliformis (Teia-teia), Trichilia grandifolia (Cola macaco), Pauridiantha floribunda (Pau formiga) e o Allophyllus africanus (Pau três).
As árvores endémicas típicas são: Peddiea thomensis (Tchapo tchapo d’ôbô), Balthasaria mannii, Psychotria guerkeana e P. nubicola.
Segundo dados da publicação "Conservação dos Ecossistemas Florestais na República Democrática de São Tomé e Príncipe" elaborado por P.J. Jones, J.P. Burlison e A. Tye a ilha do Príncipe não tem nenhuma pradaria no seu extremo norte, como seria de esperar, por analogia com a de São Tomé. Toda a floresta primária da parte norte e centro da ilha foi substituída por plantações de cacau, café, coco e banana.
Segundo a mesma publicação, reporta-se que quase toda a floresta húmida primária que existia nessa ilha foi destruída durante uma campanha de erradicação da doença do sono em 1906, mas investigações recentes demonstraram que os esforços necessários para chegar a esse fim ultrapassavam a capacidade das equipas de controlo e a maior parte da zona sul da ilha permanece intacta.




A floresta húmida primária existente no Príncipe é parecida com a floresta húmida de baixa altitude de São Tomé, apesar de a mesma estar relativamente mais enfraquecida. Nas florestas do Príncipe podem-se encontrar as seguintes espécies endémicas: Rinorea insularis, Ouratea nutans, Casearia mannii, Croton stellulifer e Erythrococca columnaris. Esta floresta é particularmente rica em Euforbiáceas, dentre as quais se destacam cinco espécies endémicas desta ilha. Perto do cimo do Pico do Príncipe, a floresta tem um carácter ligeiramente mais montanhoso, mas a altitude não é suficiente para que se possa desenvolver na mesma florestas de nevoeiro, como se verifica em São Tomé.
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