Os Recursos Biológicos constituem potenciais fontes de rendimento com grandes benefícios para a população, se forem geridos de forma sustentável



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2.5. Ecossistema Agrário

Continua a ser indeterminada a capacidade dos recursos e tecnologias disponíveis para satisfazer a procura de alimentos e outros produtos básicos para a população sãotomense em constante crescimento. No entanto, a agricultura terá necessariamente de estar preparada para fazer frente a este desfio, mediante o aumento da produção nas terras aptas para tal disponíveis, de modo a evitar a degradação de terras marginais não aptas para o cultivo.


A erradicação da monocultura e a diversificação de produtos, tanto agrícolas como pecuários, deve constituir uma prioridade.

2.5.1. Recursos genéticos vegetais

Tomando como critério de base a finalidade do produto comercial, as diferentes espécies vegetais existentes em S.Tomé e Príncipe, sejam espécies cultivadas ou espontâneas, podem ser agrupadas, de acordo com o uso, do seguinte modo: espécies industriais, espécies alimentares, espécies aromáticas, espécies medicinais e espécies ornamentais.



2.5.1.1. Espécies industriais

Refere-se às espécies de plantas cujo produto final constitui matéria-prima para a indústria. Dado ao fraco nível de desenvolvimento industrial do país, esses produtos são orientados quase na totalidade para o exterior, sem obtenção de valor acrescentado (para além da secagem) transformando-se deste modo em fonte imediata de divisa para a cobertura das necessidades internas em matéria de moeda convertível. Trata-se do único processo primário de industrialização (secagem) de todas as culturas industriais santomenses.


Estão incluídas nesse grupo: o Theobroma cacau (cacaueiro), o Cocus nucífera (coqueiro), a Elaeis guineensis (palmeira de azeite), o Coffea arábica (cafezeiro) e a Pipper negrum (pimenteira).
2.5.1.1.1. Cacaueiro
O cacaueiro foi introduzido no Príncipe em 1822 e em S.Tomé em 1855 e distribui-se por toda a zona compreendida entre os 100 e 600 metros de altitude, havendo inclusivé plantações situadas quase ao nível do mar. O cacaueiro ocupa, por conseguinte, quase toda a zona de Floresta de Sombreamento.
2.5.1.1.2. Coqueiro
As plantações de coqueiro distribuem-se desde o nível do mar até uma altitude de cerca 150 metros e ocupam quase toda a faixa costeira da Ilha de S.Tomé. A cultura concentra-se na parte Sul da Zona de Savana, nas áreas costeiras da Zona de Floresta de Sombreamento.
Na Ilha do Príncipe esta espécie concentra-se em toda a parte norte da Ilha correspondente à Zona de Floresta de Sombreamento, em toda a faixa costeira oriental e em toda a zona sul na periferia da Zona de Floresta Primária.
2.5.1.1.3. Palmeira do azeite
As palmeiras encontram-se um pouco dispersas por todo o território dado a sua grande capacidade de adaptação e fácil propagação, para a qual muito contribui a acção dos pássaros e outros animais. Contudo, os palmares de maior dimensão localizam-se no SE da Ilha de S.Tomé ainda na Zona de Floresta de Sombreamento e na Ilha do Príncipe no centro este da Ilha, também na Zona de Floresta de Sombreamento.

2.5.1.1.4. Cafezeiro


Ocupa na Ilha de S.Tomé a parte da Floresta de Sombreamento cuja altitude esteja acima dos 600 metros quando se trate do café arábica. Em zonas de baixa e média altitude, correspondentes também à Zona de Floresta de Sombreamento, desenvolve-se a variedade robusta, em regime de pequenas plantações.
Na Ilha do Príncipe, tanto na Zona de Sombreamento como na Zona de Floresta Secundaria existem várias plantações de café ibérica, muitas das quais abandonadas e marcando os vestígios de plantações que outrora constituíram um dos sustentáculos da agricultura da Ilha.
2.5.1.1.5. Pimenteira
Concentra-se em Zonas de Floresta de Sombreamento, em plantações muitas das quais conduzidas com o rigor técnico exigido (Santa Clara, Benfica, Potó, Rio Lima, etc). Em zonas de Floresta Secundaria, pode-se também identificar variadíssimos exemplares da espécie desenvolvendo-se de forma espontânea, sem interesse comercial.
2.5.1.1.6. Cana-de-açúcar
Concentra-se na zona de Savana na Ilha de S. Tomé e na parte norte da ilha do Príncipe. Pode-se também observar pequenas plantações na zona de floresta de sombreamento.
As plantações da zona de savana destinam-se fundamentalmente ao fabrico de aguardente e na zona de sombreamento, para o consumo directo.

2.5.1.2. Espécies alimentares

Consideram-se espécies alimentares as que produzem bens que entram directamente na composição da alimentação humana, sejam frutos, sementes, folhas, raízes, tubérculos ou caules (Ver Anexo B-3). As espécies alimentares, em função do ciclo de vida da planta, podem dividir-se em anuais e perenes e, em função das características do fruto agrícola ou da parte da planta que é consumida como alimento, em hortícolas, frutícolas, tubérculos, raízes e cereais. Assim, distingue-se:


Hortícolas: Licopersicum esculentum (tomate), Lactuca sativa (alface), Vigna sesquipedalis (feijão verde), pepino, Brassica sp. (repolho), Allium cepa (cebola), Allium sativum (alho), Brassica rapa (nabo), Brassica sativus (rabanete), Brassica oleracea (couve), Capsicum frutescans (pimentão), etc.

Frutícolas: Carica papaia (mamoeiro), Ananas comosus (ananás), Manguífera indica (mangueira), Persea americana (abacate), Psidium guajava (goiaba), Artocarpus heterophyllos (jaqueira), Dacryoide edulis (safuzeiro), Spondias cytherea Sonner (cajamangueira), etc.

Tubérculos: Xantossoma sagitifolium (matabala), Ipomea batata (batata doce), Solanum tuberosum (batata inglesa);

Raizes: Manihot esculentum (mandioca);

Cereais: Zea mays (Milho) e Oryza sativa (arroz).
2.5.1.2.1. Hortícolas
O cultivo de espécies hortícolas é praticado em maior dimensão, tanto na parte norte da Zona de Floresta de Sombreamento (Mesquita, Uba Cabra, S.Gabriel) como nas áreas de considerável altitude da mesma zona (Bom Sucesso, Quinta das Flores) e um pouco também por muitas das parcelas distribuídas no quadro do programa de privatização agrícola, através do processo de distribuição de terras. São também frequentes as parcelas instaladas com hortaliças em Zonas de Floresta Secundária, muitas em áreas de relativamente declivosas.
2.5.1.2.2. Frutícolas
De um modo geral, as espécies frutícolas abundam em toda a Zona de Floresta de Sombreamento, constituindo, em consociação com outras espécies arbóreas, o sombreamento para as plantações de cacau e de café. Desenvolve-se igualmente de forma espontânea na Floresta Secundaria. É de assinalar a presença típica do mamoeiro nas Zonas de Savana.
De igual modo, as diferentes espécies frutícolas são uma característica marcante dos quintés(*).
2.5.1.2.3. Tubérculos
A matabala é o tubérculo predominante, que prolifera tanto sob a forma espontânea como cultivada, em toda a Floresta de Sombreamento, geralmente em consociação com plantações do cacau e do café. Relativamente à batata inglesa, localiza-se em áreas de altitude das Zonas de Floresta de Sombreamento bem como em parcelas instaladas em Zonas de Floresta Secundaria. A batata-doce abunda essencialmente em Zonas de Savana.
2.5.1.2.4. Raízes
A mandioca é de fácil identificação em Zonas de Savana e parcelas específicas na Zona de Sombreamento.
2.5.1.2.5. Cereais
Dos cereais cultivados em S.Tomé e Príncipe apenas o milho e muito recentemente o arroz merecem destaque. O milho desenvolve-se essencialmente na Zona de Savana – região Norte - (Canavial, Fernão Dias, Praia das Conchas, Diogo Nunes, Micoló), onde, conjuntamente com a zona da Pinheira e Agua Izé – região Sudeste - (já pertencente à Zona de Floresta de Sombreamento), reside o maior potencial produtivo do país. Contudo, a espécie é cultivada geralmente em pequenas parcelas, por todas as zonas agrícolas das duas Ilhas.
Relativamente ao arroz de sequeiro, introduzido no quadro do Projecto de Desenvolvimento de Culturas Alimentares em Cooperação com a China Taiwan, encontra-se na sua fase experimental nas regiões de Pinheira, Água Izé, Milagrosa, Porto Alegre, Agostinho Neto e no Príncipe.

2.5.1.3. Espécies aromáticas

Estão incluídas neste grupo plantas como a Vanila planifolia (baunilha), a Cinnamomum zeylanicum (canela), o ylang-ylang e Vetiveria zizanoides (vetiver), este último produto de um ensaio experimental no extremo sul (Porto Alegre) com resultados espectaculares. No entanto, não foi ainda explorado este nicho de mercado (obtenção de essências para a produção de perfumes e outros cosméticos).


Enquanto a canela é espontânea em Zonas de Floresta Secundaria e Primária, a baunilha é cultivada em pequenas parcelas da Floresta de Sombreamento, merecendo destaque as plantações situadas em Mé-Zochi e Água Izé.

2.5.1.4. Espécies medicinais

São plantas com efeito curativo e utilizadas por conseguinte no tratamento de doenças de diferentes índoles, tais como: asma, paludismo, feridas, tosse, diabetes, etc (Ver Anexo B-7).


Constituem exemplos o Chinchona (pau quina), Onodora myristica (iobò), Voacanga africana (cata de ôbô). Na década dos anos 80, a Estação Experimental de Pótó enviou amostras foliares a um Laboratório de análises da Itália que reportou a presença de princípios activos de elevado valor farmacêutico. Desenvolvem-se essencialmente nas Zonas de Floresta Secundária e Primária, embora se disseminem um pouco por todas as outras zonas.

2.5.1.5. Espécies ornamentais

Distinguem-se pela beleza das suas flores e folhas e por esta razão são utilizadas no embelezamento e ornamentação de espaços, tanto interiores como exteriores. São exemplos os antúrios, as orquídeas, os bicos de papagaio e Afranomum mirabilis (rosas de porcelana), comuns nas Zonas de Florestas de Sombreamento e Secundária.



2.5.2. Recursos genéticos animais

Segundo Colson, em 1994 as ilhas de São Tomé e Príncipe possuíam uma área de pastagem de aproximadamente 3.100 ha, o que representaria apenas cerca de 24% da área estimada por Alfeirão em 1973, ou seja, 13.000 ha.


Da área actual, 60% localiza-se na zona de coqueiral, tendo em conta o abandono de pastos de altitude e sob as plantações, que foram entretanto invadidas por vegetação lenhosa, restando apenas cerca de 500 ha que podem ser considerados pastos imediatamente disponíveis. Quanto à constituição de biótopo, salienta-se a presença de espécies de plantas forrageiras bem adaptadas nas ilhas, nomeadamente: Panicum maximum, Pennisetum sp, e Lucaena sp.
Atendendo às características climatéricas predominantes nas zonas de pasto, isto é, de tipo sub-húmido a húmido e também tropical de altitude (Classificação da FAO, 2002), poderiam ainda ser plantadas a Brachiaria sp, a Cynodon e a Pueraris sp., que são igualmente adaptáveis às condições ecológicas das ilhas e de capital importância para a nutrição e alimentação dos ruminantes.
No tocante ao gado grosso (grandes ruminantes), o mesmo não tem, em qualquer das duas ilhas, nem tipo e muito menos uma raça definida. A sua base genética resulta das raças Alentejana e Mirandesa, importadas de Portugal no período colonial e outras importadas de Angola, Cabo-Verde e Moçambique (Alfeirão, 1973).
Videira (1954) avança no entanto 89 nomes de algumas raças de bovinos que foram ou são exploradas no arquipélago, tais como Salamsalanquina, Charolesa, Jersey, Shorthorn, Schwitz, Hereford e Afrikander. Dentre essas raças, destaca-se a Afrikander, enquanto raça maior do Continente Africano, predominante na África Austral (Zimbabwe, Moçambique e África do Sul).
No intuito de relançar a criação de bovinos leiteiros em S.Tomé, foram importados em 1979, no âmbito da cooperação bilateral entre a RDSTP e a Holanda, vacas e touros de raça Friesian que foram colocados em Nova Olinda (Projecto bovino de Nova Olinda). As mesmas tiveram imensas dificuldades de adaptação ao clima e a doenças como mamites provocadas pelas carraças, que afectaram gravemente a produção leiteira. Outras importações de bovinos, nomeadamente de Cuba, também não foram muito bem sucedidas.
Na década de 90 foram importados por um privado alguns bovinos de raça N‘Dama do Gabão. O N‘Dama é um bovino rústico, de porte pequeno e compacto, cabeça curta, orelhas pequenas e horizontais, explorado principalmente na África Ocidental e Central, que tem demonstrado resistência aos ataques de tripanossomas transmitidos pela mosca tsé-tsé, que afectam os bovinos da região.

Assinale-se que os bovinos actuais ou “raça local” do arquipélago, apresentam cores variadas, nomeadamente castanhos, pretos, malhados de branco (devido à influência da Holstein). Trata-se de animais rústicos e adaptados aos pastos e às condições de manejo e higiene menos apropriadas. Pensa-se que os bovinos mais rústicos sejam aqueles que foram objectos de vários cruzamentos entre as raças importadas durante o período colonial, ao revelarem-se mais resistentes às condições ecológicas e de sistema de exploração mais adverso em comparação com os recentemente introduzidos a partir da Holanda (Friesian-Holstein) e Cuba (Siboney, Zebu).


Em São Tomé e Príncipe, algumas espécies pecuárias estão ameaçadas e em vias de extinção, como é o caso dos asininos, equinos, muares e perus.
Na década 90 foi feita a importação de alguns cavalos, burros e éguas, para promover o transporte e eventualmente, a tracção animal e o relançamento dessas espécies. Tal importação não teve o sucesso desejado, na medida em que os animais foram distribuídoss sem um programa de acompanhamento zootécnico e sanitário adequado e acabaram por não se adaptar ao seu novo habitat, morrendo quase todos.
Actualmente, a principal raça de caprinos existente é a "raça local", do tipo da Guiné, com frequente introdução de sangue do exterior, nomeadamente das raças Anglo-nubian, Saanen, Toggenbourg, (Colson et al., 1994). Os animais com características menos rústicas (exóticos) podem ser encontrados em número não menos relevante na Zona de Fernão Dias e suas redondezas. São resultados de sucessivos cruzamentos de raça local com Saanen, Toggenbourg inglês, Anglo-Nubian, importados na década 80 da Inglaterra e colocados no antigo Centro de Caprinos de Fernão Dias.
Os ovinos foram introduzidos provavelmente há alguns séculos, tendo demonstrado pouca resistência e dificuldade de adaptação às condições chuvosas e húmidas do arquipélago. Na década de 80, também o Governo importou várias dezenas de cabeças da Inglaterra, de raça Sulfolk, cuja maior parte se adaptou, podendo ser encontrados alguns dos seus cruzamentos actualmente na Empresa Diogo Vaz e algumas médias empresas. Actualmente, a raça local, pelo tamanho e aptidão produtiva, parece-nos tratar-se da Djalonké, muito explorada na nossa sub-região, também denominada “Ovino da Guiné”. Em 2000, foram importados da Costa do Marfim animais dessa raça, que têm vindo a demonstrar alguma capacidade de adaptação às condições climáticas e de exploração das ilhas.
No concernente a suínos, a raça local é de porte reduzido, devido ao facto de ter sido objecto de sucessivos cruzamentos “naturais” com raças importadas ao longo dos séculos, visando incrementar a produção pecuária, através do aumento de efectivos.
Diversas raças de galinhas são exploradas no país. Uma delas, a galinha de forro, é endémica, rústica e portanto adaptada às condições ecológicas do arquipélago. Ela distribui-se por todo o território nacional, podendo ser observada ainda em raça pura em algumas zonas rurais, nomeadamente em luchans, não sucedendo o mesmo nas dependências e sedes das antigas empresas agro-pecuárias. Nestes locais, são visíveis os seus cruzamentos com raças importadas, quer introduzidas no passado mais remoto pelos portugueses, quer no passado mais recente por avicultores industriais e projectos de desenvolvimento.
Algumas raças importadas começam a adaptar-se às condições ecológicas, embora, por vezes, com alguns riscos sanitários e de mortalidade, que se prendem com a falta de alimentação equilibrada. A maior parte delas tem sido importada de Portugal, sendo as poedeiras de linhagem Leghorn e as de carne derivadas de cruzamentos de Barred Plymouth Rock e Rhode Island Red. Entretanto, segundo a FAO (1988), teriam sido introduzidas em 1986 reprodutoras de poedeiras da raça Hisex Bru.

Com relação aos patos, os mesmos foram introduzidos no passado pelos portugueses, tendo posteriormente a extinta Empresa EMAVE importado, de igual modo, alguns efectivos de raça desconhecida (Pequim Barbarie). Entretanto, em matéria de raça local, mais rústica e adaptada ao clima e às condições ambientais do país, parece tratar-se do pato Barbarie, raça actualmente explorada no Congo e que pertence à espécie Cairina moscata (Mmoko, 1993).


A raça local ou seus cruzamentos são muito receptivos à epidemia da Pasteurolose (Colson, 1994) tendo entretanto Bonfim (2002) apurado em 1998 uma taxa de mortalidade na ordem de 70 % ao nível das crias, como consequência de doença viral devido à falta de higiene, alimentação e abrigo apropriados.
No tocante aos perús, o efectivo existente actualmente é irrisório, o que demonstra que é uma espécie rara ao nível do país. A raça existente é desconhecida, assim como a sua origem.

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