Os Recursos Biológicos constituem potenciais fontes de rendimento com grandes benefícios para a população, se forem geridos de forma sustentável


CAPÍTULO III - A VALORIZAÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA



Yüklə 1.7 Mb.
səhifə8/13
tarix21.08.2017
ölçüsü1.7 Mb.
1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   13

CAPÍTULO III - A VALORIZAÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA




3.1. O Valor Ecológico da Diversidade Biológica

O relevo fortemente acidentado do centro-sudoeste do arquipélago são-tomense impediu a intervenção humana nesta região, favorecendo assim a conservação do maciço florestal denso e húmido, que é crucial para o sistema agrário do país, pelo seu papel fundamental sobre os demais elementos do clima (regime das chuvas, direcção e velocidade dos ventos, humidade relativa do ar e insolação), condicionando assim a capacidade produtiva das culturas que fizeram depois a história agrícola do país. Além disso, como outras florestas tropicais do mundo, podem funcionar como sumidores do dióxido de carbono, contribuindo portanto na problemática de mudanças climáticas a nível mundial.


A cobertura florestal desempenha ainda outros papéis relevantes para a sociedade. Ela defende o solo contra as chuvas torrenciais, evitando assim a erosão. Os detritos orgânicos resultantes da folhagem, ramas, cascas e frutos caídos, na sua decomposição, produzem o húmus, que aumenta a fertilidade natural do solo e melhora as suas características físicas.
A flora do país é muito rica. Algumas essências florestais imponentes e majestosas, tais como o pau capitão e o safú do ôbô; a par da vegetação luxuriante, o verdadeiro manto de verdura que cobre por completo o território, tornam as ilhas encantadoras.
A integração da pecuária com a agricultura, nomeadamente pela fertilização natural do solo com o estrume (fezes, urina de animais e restos de palha), é utilizada pelos agricultores (hortícolas) com menos custo e protegendo o ambiente; ao contrário do fertilizante industrial, que traz consigo consequências nocivas para o solo, para o ambiente (salinização dos solos pelo uso excessivo de fertilizantes e outros fitofármacos) e para a saúde pública (a lixiviação do excesso de fertilizantes pode atingir o manto freático e poluir as águas subterrâneas).
Ainda não existem felizmente evidências capazes de provar essas duas situações em S. Tomé e Príncipe, pelo facto de ser bastante baixo o nível de utilização de fitofármacos pelos nossos agricultores e não se utilizar ainda as águas subterrâneas no abastecimento de água as populações.
A importância da criação de espécies pecuárias na RDSTP não deveria restringir-se apenas a animais confinados em médias empresas, pois o esterco animal deveria ser igualmente utilizado nas grandes e médias explorações agrícolas. Por outro lado, depois de um estudo de viabilidade, o esterco animal poderia ser utilizado como fonte de energia e de iluminação, evitando-se assim a desflorestação e os problemas ambientais e de saúde pública pela poluição dos cursos de água ao atravessarem zonas densamente povoadas.
A diminuição da população de gatos na sua função de controlo biológico dos roedores, devido ao novo hábito de consumo da carne desse animal por algumas famílias, tem provocado aumento considerável da população de ratos, que causam grandes prejuízos às espécies frutíferas e hortícolas, assim como consideráveis perdas de produção do principal produto de exportação (ataques de ratos ao cacauzal).

3.1.2. Valores ecológicos da água e da agricultura

O maciço florestal denso e húmido que cobre o centro montanhoso protege a bacia hidrográfica dos rios mais importantes do país, contribuindo duma forma significativa para o aprovisionamento das zonas densamente habitadas com água que é utilizada para o consumo doméstico, na rega e na produção de energia.


S.Tomé e Príncipe possui uma área agrícola de cerca de 40.000 ha (40,6 % da superfície nacional) que é atravessada pelos rios e cursos de água atrás referidos. Estima-se que cerca de 20% (2.240 Kw) da energia eléctrica consumida em S.Tomé e Príncipe seja de origem hídrica. Esta produção corresponde somente a 4 % do potencial hidroeléctrico disponível.
A floresta de sombra, cobrindo terras relativamente declivosas (pendentes, muitas vezes, superiores a 25 %), assegura nelas condições edafo-climáticas excelentes para a silvicultura e determinantes para a aptidão agrária dos cacauzais, cafezais e horticulturas das regiões baixas e planas. As plantações de cacau e café (floresta de sombra) que se instalaram, já há mais de dois séculos na região baixa e plana e de melhor aptidão agrícola em S.Tomé e Príncipe, gozam de prestígio internacional, por serem propícias à conservação de solos tropicais em condições insulares e pela longa durabilidade de algumas essências florestais.

3.2. O Valor Económico

Embora com certos obstáculos, estima-se que o país produziu, no ano de 2000, cerca de 700,4 t de carne; o que significa um consumo de carne per capita, de origem local, de aproximadamente 5 Kg/habitante. Embora o déficit de carne seja superado através da importação, o consumo de carne na RDSTP está muito longe da média estimada pela FAO para os países em vias de desenvolvimento: 25,8 Kg/habitante (FAO, 1999). Existem no entanto outras fontes importantes de proteínas, como o pescado e os ovos, cujo consumo anual se estima, respectivamente, em 24,5 Kg per capita e 0,86 Kg per capita.


A principal razão da criação das espécies pecuárias é a venda e obtenção do dinheiro, que serve para comprar: alimentos, roupas, materiais escolares para os filhos, materiais para as festas de casamento, baptismo, Natal, Ano Novo e outras festas.
A produção pecuária representou em 1993, 5,3% do PIB do país [Colson et al. (1994)]. Recentemente, estima-se que a produção de carne e ovos, em preço corrente do ano de1999, contribuiu para o PIB com 211.500.000,00 Dobras, cerca de 26 mil USD (Direcção da Pecuária, 1979) e em 2000 com 15 mil milhões de dobras, isto é, cerca de 2 milhões USD (ENPAB, Ecossistemas de Águas Interiores, 2002).
Contudo, no nosso entender, o crescimento de produção da pecuária deve corresponder sensivelmente ao crescimento da consciência dos produtores, dos profissionais e das instituições acerca da conservação e utilização racional da biodiversidade zoogenética e do seu ecossistema.
A floresta tem uma grande importância para a vida selvagem e constitui um precioso recurso em termos de lenha e materiais de construção. O inventário florestal nacional sugere que, dado ao facto de os recursos de madeira nas ilhas serem superiores à procura local, seria possível uma pequena exportação sustentável, por volta de 1.000 m3 por ano.
As florestas são também utilizadas para a caça de subsistência (porcos e macacos selvagens e pombos indígenas). Nelas se procede igualmente à colheita de plantas medicinais e à extracção do mel. Ali existem várias espécies cultivadas de especiarias de grande valor comercial. Nas áreas cultivadas, encontram-se árvores de fruto, culturas alimentares e industriais.
A estrutura económica de São Tomé e Príncipe está actualmente muito dependente da produção agrícola. A agricultura ainda é a principal actividade económica do país e o cacau, o principal produto de exportação. Dos 19,8 mil milhões de dobras das exportações, em 2000, mais de 18 mil milhões provêm do sector agrícola. Nesse mesmo ano, o sector agro-florestal contribuiu com 21,8% do PIB.

3.2.1. O Valor alimentar


A política de desenvolvimento agro-alimentar deve inspirar-se nos sistemas de produção agrícola, recursos humanos, ecológicos e económicos. A segurança alimentar só se atinge quando houver a articulação de três elementos fundamentais: produção alimentar, estabilidade das provisões ("stocks") e acesso aos alimentos, em suma, os 3 pilares fundamentais do conceito de segurança alimentar.


A produção agro-alimentar é cada vez mais diversificada, adoptando-se técnicas mais avançadas, a par da utilização de cultivos seleccionados de maior produtividade. As culturas alimentares fornecem a maior parte dos alimentos de base, tais como a banana, matabala, mandioca, arroz, milho, legumes, fruta-pão, frutos, e outras. Contudo, o aumento demográfico e a crescente urbanização provocam novos problemas a São Tomé e Príncipe, relativamente ao sistema alimentar, ao uso das terras, água, florestas, fauna e flora nativas.
Recursos vegetais selvagens

Nas plantações recém-abandonadas (floresta secundária nova), colhe-se a banana prata (regime de Musa paradisíaca v. sapientum), a matabala (tubérculo de Xanthosoma sagitifolium) e a fruta-pão (fruto de Artocarpus communis), que praticamente constituem a base alimentar tradicional dos são-tomenses. A este grupo junta-se ainda o izaquente (fruto de Treculia africana), com o qual se prepara o prato do mesmo nome, servido principalmente nas festas locais.


Os principais frutos colhidos nestes ecossistemas são: a jaca (fruto de Artocarpus heterophylla), a cajamanga (fruto de Spondias cytherea), o safu (fruto de Dracryodes edulis) e a manga (fruto de Mangifera indica). Frutos como o sapo-sapo (fruto de Annona squamosa), a anona (fruto de Annona reticulata), o pêssego de S. Tomé (fruto de Chytranthus mannii), a pitanga (fruto de Eugenia uniflora), a alfarroba (fruto de Ceratonia siliqua), o comichama (fruto de Eugenia brasiliensis), são menos utilizados, talvez por serem menos abundantes. Em alguns sítios da floresta de sombra, existem culturas de mandioca, inhame, milho e hortaliças.

Recursos vegetais cultivados (cereais, tubérculos, frutos, legumes, culturas industriais de exportação, plantas oleaginosas)

No que diz respeito aos recursos vegetais cultivados, é importante ter em consideração que os recursos aquáticos de São Tomé e Príncipe constituem uma riqueza de capital importância para o país. O mesmo recebe das suas áreas totais cerca de 2,1 milhões de m³/km³, ou seja, 18.000 m³/pessoa (CISO,”AGROCOMPLECT”, 1982). Esses dados são relativamente altos, se comparados com outras paragens: 12.000 m³ /pessoa, ao nível do continente africano, 6.250 m³, da Ásia e 5.100 m3, da Europa.
Está prevista a futura utilização dos recursos aquáticos para melhoria da industrialização da agricultura, para o desenvolvimento da irrigação e de sistemas novos, relacionados com o cultivo de arroz, milho, cana-de-açúcar, culturas alimentares e de forragem, hortaliças, frutas, etc.

Recursos animais selvagens


As plantações abandonadas há mais de 20 anos (floresta secundária velha) são habitats predilectos dos macacos (Cercophitecus mona) e do porco de mato (Sus domesticus,) que são os principais mamíferos fornecedores de carne silvestre que se consome em STP. Algumas espécies de pássaros, como a rola (Columba malberbii), o pombo de mato (Columba thomensis), a cessa (Treron australis virescens), o curucuco (Streptopelia senegalensis), a muncanha (Aplopelia larvata simplex ou principalis) são muito caçados e consumidos como delícias. A estes pássaros junta-se o guembú, um mamífero voador (morcego) (Myonycteris brachycephala) que é também caçado pela sua carne bastante apreciada pela população.
Desconhece-se até agora o exacto potencial dos recursos existentes ao nível das águas interiores. Apesar da relativa diversidade da riqueza da fauna ictiológica dos rios e águas paradas, esses recursos são pouco aproveitados, tendo em conta, como já foi anteriormente dito, que é muito reduzido o consumo de peixe de água doce, mesmo nas localidades onde ele abunda. Por se tratar de ilhas com uma grande riqueza em peixes de água salgada, estes são preferidos, em detrimento dos de água doce.
Contudo, algumas iniciativas de tentativa de piscicultura são projectadas. Mas são sobretudo de capitalizar algumas iniciativas de cultura do camarão de água doce, tendo em conta que se trata de espécies muito apreciadas pela população. Com efeito, a cultura do camarão, em particular do género Macrobrachium, tem sido realizada pelo mundo fora com muito sucesso. Tratando-se de uma espécie que abunda nos nossos rios e que é muito procurada, a sua cultura poderá tornar-se numa alternativa como actividade económica para o país.
Rossignon 1999 cita na sua obra sobre a ecologia do camarão de água doce de São Tomé e Príncipe, alguns exemplos de cultura destas espécies para vários fins, nomedamente a pesca tradicional e as culturas intensivas com mão-de-obra familiar no Sudeste Asiático, policulturas com carpas, mulets e tilápias, etc. O estudo foi efectuado com a espécie indígena de São Tomé e Príncipe, o camarão branco (Macrobrachium zariquiery), e demonstrou que existem condições para a realização com êxito da cultura desta espécie. No estudo, diversas experiências foram efectuadas, mas a que pareceu ser realizada com maior sucesso foi a cultura do camarão fora do seu meio natural.

Outras iniciativas de cultura de espécies de água doce foram propostas no quadro da “luta biológica” contra o paludismo. Consiste na utilização de predadores de larvas de mosquito género Anopheles, causadores de paludismo, e que vivem nos pântanos e charcos, como uma alternativa para evitar a utilização de produtos químicos, nomeadamente do DDT, tendo particularmente em conta os efeitos negativos sobre a saúde humana. A ideia foi lançada para ser desenvolvida nos principais pântanos da cidade de São Tomé, onde são mais sugnificativas as taxas de incidência da doença. Todavia, os estudos não demonstraram a viabilidade desta possibilidade. Vários factores de risco não foram contemplados, tendo-se a sublinhar o facto de que, uma vez lançados na água, o crescimento da população dos peixes nunca se verificou de forma significativa, devido à acção do homem, nomeadamente dos garotos que faziam a sua pesca a um ritmo superior ao do crescimento da sua população. Daí que a iniciativa tivesse sido progressivamente abandonada. Um outro factor de desencorajamento da iniciativa talvez tivesse sido o facto de os estudos não terem demonstrado de forma concludente que os Anopheles eram provenientes dos grandes pântanos, mas talvez de pequenos charcos, latas vazias perto das casas e demais lixos deixados de forma negligente nos quintais.


Existem algumas iniciativas de aquacultura de peixes, nomeadamente de tilápias, efectuadas em pequenas quantidades e em pequenos reservatórios com água, que se poderia eventualmente encorajar a desenvolver, como forma de encontrar alternativas económicas de baixos custos, susceptíveis de minimizar a problemática da alimentação da população.

Recursos animais domésticos


Por se tratar de um ecossistema agro-silvo-pastoral, os recursos alimentícios da floresta de sombra são enriquecidos com a actividade pecuária (bovinos, suínos, caprinos, galináceos).

3.2.2. O valor dos produtos lenhosos

O volume total de madeira comercial em S.Tomé e Príncipe estima-se em 11,5 + ou – 0,8 milhões de metros cúbicos (incluindo as florestas primárias). Este capital em madeiras, repartido por toda a superfície arborizada do país, dá uma média de 125 m³/ ha.


Sendo o volume total (volume de toda a madeira duma árvore com diâmetro igual ou maior que 10 centímetros), em geral, 35 a 40 por cento maior do que o seu volume comercial, calcula-se para todo país 15.5 a 16.1 milhões de metros cúbicos de madeira total. Há recursos em madeira disponíveis anualmente para uma exploração sustentada, os quais foram avaliados em 70 a 103 000 m³/ha de madeira redonda com casca para as serrações e 43 a 65 000 m³/ha de madeira com casca para lenha (Interforest AB, 1990).
É importante notar que, até ao presente, os produtos lenhosos são explorados na ausência de um plano de manejo, sem o suporte de um plano anual de corte, sendo que a exploração informal se torna cada vez mais dominante.

3.2.3. O valor de energia da madeira

Os restos de produto vegetal (madeira) encontrados na natureza são elementos energéticos que fazem parte da reconstituição do solo, servindo assim como substracto para a incorporação de novas vidas vegetais e animais.



3.2.4. O valor medicinal das plantas e das espécies animais

Em S.Tomé e Príncipe, os principais produtos medicinais da diversidade biológica são de origem vegetal. São indicadas cerca de 300 espécies de plantas medicinais. As doenças de maior incidência tratadas são: paludismo, diarreias/disenterias, doenças da pele, feridas, icterícia/hepatite, asma, gripes, diabetes, etc. Segundo Lopes Roseira (1984), a flora de São Tomé e Príncipe é rica em plantas medicinais, cuja aplicação na indústria e na medicina natural constitui uma alternativa válida, relativamente às formulações químicas dos laboratórios multinacionais em todo o mundo.


As raízes, cascas, folhas e flores são utilizadas desde os tempos mais remotos para a conservação da saúde e cura de doenças. Essa prática é reconhecida universalmente como imprescindível à vida dos povos e assim passou a ser atentamente seguida em todo o mundo por estudiosos e ervanários que, deste modo, têm prestado altos e relevantes serviços à Humanidade.
Sob o ponto de vista medicinal, destacam-se as seguintes espécies: a cata grande (Voacanga africana), o macambrará (Craterispermum montanum), o libô mucambú (Vernonia amygdalina), o pau três (Allophylus africanus), a canafístula (Cassia fístula), a quina (Cinchona sp), a folha damina (Bryophyllum pinnatum), o milondó homem (Acridocarpus longifolium), o iobó (Monodora myristica), a maioba (Cassia ocidentalis), o micócó (Ocimum viridis), o stlofi (Momordica charantea) e tantas outras (Ver Tabela Anexo B-1).
Ainda sob o ponto de vista medicinal, podem existir animais possuindo propriedades medicinais e que devem ser descobertos e identificados.

3.2.5. O valor da utilização ornamental das plantas e animais selvagens de companhia incluindo a exportação.




Поделитесь с Вашими друзьями:
1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   13


Verilənlər bazası müəlliflik hüququ ilə müdafiə olunur ©azkurs.org 2019
rəhbərliyinə müraciət

    Ana səhifə