Vestibular do bionator reverso de balters



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CORREÇÃO  PRECOCE  DA  PSEUDO  CLASSE  III  COM 



APARELHO 

ORTODÔNTICO 

REMOVÍVEL 



ALÇA 

VESTIBULAR DO BIONATOR REVERSO DE BALTERS  

 

 

Cristiane Celli Matheus dos Santos Pinto 

Paulo Roberto dos Santos Pinto 

Enzo Pugliesi 

Joacir Ferreira Rodrigues 

Ary dos Santos Pinto 

 

 

 

RESUMO  

Com  o  intuito  de  enfatizar  a  importância  da  correção  precoce  da  mordida  cruzada  anterior, 

apresenta-se  o  tratamento  de  paciente  com  5  anos  de  idade  com  um  aparelho  expansor 

removível  e  alça  invertida  de  Bionator.  Os  resultados  obtidos  após  3  meses  de  tratamento, 

evidenciaram  um  reposicionamento  das  estruturas  dento-alveolares  que  promoveu  o 

restabelecimento do equilíbrio maxilo-mandibular. Pode-se ressaltar que o aparelho expansor 

removível com alça invertida de Balters possibilitou a correção precoce da mordida cruzada 

anterior de modo rápido e satisfatório. 

 

Palavras-chave: Mordida cruzada anterior, Pseudo Classe III, Aparelho removível com 

alça invertida 

Mordida cruzada anterior 

 

ABSTRACT 

In  order  to  illustrate  the  importance  of  the  early  correction  of  the  anterior  crossbite,  it  was 

shown a treatment of a 5 years patient with a removable expander appliance associated to a 

Bionator  inverted  loop.  The  results  obtained  after  3  months  after  of  treatment,  showed 

evidence of dento-alveolar structures repositioning that  promoted  the  reestablishment  of the 

maxilo-mandibular  balance.  It  was  demonstrated  that  the  removable  expander  appliance 

associated to Bionator inverted loop allowed the early correction of the anterior crossbite in a 

fast and satisfactory manner. 



 

Key words:   Anterior crossbite, Pseudo Classe III,  Removable expander with Inverted 

loop 

 


 

 



INTRODUÇÃO 

 

 



Dentre  as  más  oclusões  que  podem  ocorrer  na  fase  de  dentadura  decídua,  a  mordida 

cruzada  anterior  merece  um  destaque  em  virtude  da  interferência  funcional  e  das  alterações 

que  promove  no  desenvolvimento  dentofacial,  resultando  em  deformidades  importantes  que 

comprometem a estética e a função do sistema estomatognático.  

A  mordida  cruzada  anterior  é  definida  como  um  relacionamento  vestíbulo-lingual 

incorreto  de  dentes  anteriores  superiores  que  ocluem  por  lingual  em  relação  aos  inferiores. 

(LITTON et al., 1970).   

Vários  fatores  etiológicos  intercorrentes  durante  o  desenvolvimento  da  criança  como 

retenções  prolongadas  dos  dentes  decíduos,  presença  de  raízes  residuais  ou  de  dentes 

supranumerários, traumatismos em dentes decíduos além de outros fatores podem interferir na 

erupção  dos  dentes  permanentes  causando  uma  mordida  cruzada  anterior  dentária  ou  dento-

alveolar (VADIAKAS e VIAZIS, 1992; ALMEIDA et al., 2000).  

No  decorrer  do  desenvolvimento  dentofacial,  a  mordida  cruzada  dentária  não  tratada 

na  infância  e  adolescência,  pode  gradativamente  se  transformar  e,  na  fase  adulta,  resultar 

numa  má  oclusão  esquelética.  Esta  mordida  cruzada  anterior  dentária  pode  variar  em  sua 

complexidade dependendo do número de dentes envolvidos. Quanto maior seu número, maior 

será a tendência no desenvolvimento de um padrão esquelético de Classe III, pelo  gradativo 

comprometimento  dento-esquelético  e  em  função  do  desequilíbrio  funcional  do  sistema 

estomatognático  O  restabelecimento  do  processo  de  crescimento  e  desenvolvimento 

dentofacial  com  o  descruzamento  da  mordida,  favorecerá  o  equilíbrio  destas  estruturas 

(GRABER, 1972, WOITCHUNAS et al., 2001).  

Fatores  genéticos  podem  promover  uma  desarmonia  no  relacionamento  das  bases 

ósseas maxilar e mandibular resultando numa displasia esquelética de Classe III e a mordida 

cruzada  anterior  presente  está  relacionada  ao  comprometimento  esquelético.  Nestes  casos, 

freqüentemente  existe  uma  compensação  dento  alveolar  representado  por  inclinação  lingual 

dos incisivos inferiores e vestibular dos superiores. (LEE, 1978; MAMANDRAS e MAGLI, 

1984; VADIAKAS e VIAZIS, 1992).  

A  pseudo  Classe  III  ou  mordida  cruzada  anterior  funcional  constitui-se  num  falso 

prognatismo  mandibular  causado  pelo  deslocamento  mandibular  anterior,  resultante  da 

interferência dentária promovida pelo cruzamento dentário anterior. Nesta pseudo Classe III, 

em fases precoces, ainda não ocorreu uma interferência no crescimento das bases ósseas e os 


 

 



incisivos  apresentam  uma  inclinação  próxima  ao  normal.  Após  a  remoção  da  interferência 

oclusal  o  equilíbrio  maxilo-mandibular  se  restabelece  normalmente,  evidenciando  que  a 

pseudo Classe III era resultante de um padrão de reflexos musculares adquiridos em resposta 

a um contato dentário prematuro (MAMANDRAS e MAGLI, 1984; VADIAKAS e VIAZIS, 

1992).  

É  fator  fundamental  uma  avaliação  funcional  precisa  e  minuciosa  que  permita 

distinguir  as  verdadeiras  deformidades  esqueléticas  daquelas  que  expressam  o  resultado  de 

desvios funcionais para um correto diagnóstico, prognóstico e tratamento (MATTAR NETO 

et al., 2002).  

Para  a  realização  do  diagnóstico  diferencial  dos  vários  tipos  de  mordida  cruzada 

anterior,  a  mandíbula  deve  ser  manipulada  de  modo  que  os  côndilos  sejam  posicionados 

corretamente  na  cavidade  articular  possibilitando  verificar  a  relação  dos  arcos  dentários  e 

bases ósseas (LEE, 1978).  

A complementação do diagnóstico é realizada pela  aferição do comprimento  maxilo-

mandibular  e  avaliação  das  inclinações  dentárias,  em  análises  cefalométrica  a  partir  de 

telerradiografias em norma lateral (VADIAKAS e VIAZIS, 1992).   

No  primeiro  período  de  transição  da  dentadura  mista,  pode  ocorrer  um  padrão  de 

erupção  favorável  dos  incisivos  que  elimina  a  interferência  dentária  que  está  causando  a 

mordida  cruzada  anterior  funcional  e  restabelece  o  relacionamento  dos  arcos  dentários  e  o 

desenvolvimento normal das estruturas dentofaciais (NAGAHARA et al., 2001).  

Outros  autores  consideram  que  a  mordida  cruzada  anterior  não  se  autocorrige  e  que 

vários  tipos  de  tratamento  tem  sido  propostos,  dentre  os  quais  desgastes  dentários 

compensatórios; a utilização da pressão digital; de planos inclinados de acrílico, individuais e 

de espátulas de madeira; aparelhos ortodônticos removíveis com molas digitais ou com  arco 

progênico modificado;  arco palatino  com  molas  para vestibularização de  incisivos;  Bionator 

de  Balter  tipo  reverso;  mentoneiras  e  máscaras  para  tração  reversa.  Esses  recursos  tem  sido 

indicados de acordo com o tipo de má oclusão (PROFFIT, 1991; MARTINS et al., 1995). 

Segundo  RAKOSI, 1997, o Bionator tipo reverso para o tratamento  da Classe  III  foi 

proposto  por  Balters  para  promover  pressão  sobre  o  arco  inferior  e  liberar  a  região  dento 

alveolar  superior  na  qual  o  estímulo  de  crescimento  é  desejado,  especialmente  na  fase  de 

erupção  dos  incisivos  permanentes.  O  objetivo  deste  tipo  de  bionator  era  o  de  promover 

pressão  sobre  a  superfície  lingual  anterior  superior  pelo  aumento  da  função  da  língua 

conseguido  pela  utilização  do  arco  lingual  (mola  de  Coffin),  mas  segundo  RAKOSI,  sua 

aplicação  clínica  tem  mostrado  resultados  limitados  causando  apenas  inclinação  vestibular 



 

 



dos  incisivos  superiores  e  um  reposicionamento  mandibular  para  posterior  nos  casos  de 

Pseudo Classe III.   

Faltin Jr. e colaboradores apresentaram em 1997 um aparelho com a alça invertida de 

Balters,  inspirada  na  alça  invertida  de  Eschler.  Este  aparelho  constitui-se  de  adaptação  do 

Bionator de Balters tipo reverso utilizado para o tratamento da pseudo Classe III.   

O  sucesso  do  tratamento  ortodôntico  decorre  da  identificação  dos  vários  aspectos 

presentes na maloclusão e do conhecimento dos métodos para sua interceptação. Um correto 

plano  de  tratamento  depende  da  identificação  da  etiologia,  da  elaboração  do  diagnóstico  e 

plano de tratamento adequado a cada situação clínica. 

 

TRATAMENTO DA MORDIDA CRUZADA ANTERIOR 

 

CASO CLÍNICO 

O  paciente  G.A.,  sexo  masculino,  melanoderma  com  5  anos  de  idade,  apresentou-se 

para  tratamento  na  disciplina  de  Ortodontia  da  Faculdade  de  Odontologia  de  Franca,  tendo 

como queixa principal o mau posicionamento dos dentes anteriores . 

A  análise  facial  evidenciou  simetria  facial,  proporção  entre  os  terços  faciais,  perfil 

convexo e suave contração do músculo mentoniano durante o selamento labial  (Fig.1). 

 

 



 

 

 



 

 

                                              



 

 

 



 

Fig. 1 - Imagens de frente e perfil iniciais 

O exame clínico intrabucal revelou que o paciente encontrava-se em fase de dentadura 

decídua, apresentando mordida cruzada dentária anterior complexa, isto é, com envolvimento 

dos  seis  dentes  anteriores  e  com  suave  desvio  funcional  da  mandíbula  para  anterior, 

caracterizando uma Pseudo Classe III (Fig 2).  



 

 



 

 

 



 

 

 



                                        

 

 



 

 

 



Fig.2- Fotografias intrabucais iniciais   

 

 

Fig. 3- Telarradiografia e Rx panorâmico iniciais 



 

O  plano  de  tratamento  foi  elaborado  de  modo  a  objetivar  a  correção  da  mordida 

cruzada anterior e a reorientação da postura mandibular.  O aparelho  utilizado foi desenhado 

de acordo com as especificações reportadas em 1997, por Faltin Júnior e colaboradores onde 

descreveram  o  aparelho  removível  com  alça  invertida  do  Bionator  de  Balters,  baseados  em 

uma modificação descrita por Cesário Ramos Machado à tradicional alça invertida de Eschler.  

O aparelho ortodôntico removível foi confeccionado com torno expansor posicionado 

em recorte em “V” anterior e com alça invertida de Balters. Esta alça representa um recurso 

bimaxilar,  confeccionada  com  fio  0,9  mm,  que  atua  nos  dois  arcos  dentários,  liberando  e 

favorecendo o crescimento anterior da maxila e reorientando o crescimento mandibular.  



 

 



 

 

 



 

 

    



 

Fig. 4- Aparelho ortodôntico removível com alça invertida de Bionator de Balters 

 

A  alça  invertida  de  Balters  foi  adaptada  de  modo  a  não  exercer  pressão  sobre  o 

segmento anterior do arco dentário inferior e ajustada gradativamente à superfície vestibular 

dos  dentes  inferiores  de  acordo  com  as  mudanças  posturais  mandibulares  que  ocorreram 

durante o tratamento (FALTIN JÚNIOR et al., 1997). O parafuso expansor foi ativado ¼ de 

volta, uma vez por semana, até  a obtenção de um adequado trespasse horizontal  e vertical na 

região anterior. 

O  aparelho  foi  confeccionado  com  uma  adequada  cobertura  oclusal  na  região  dos 

dentes  posteriores,  com  planos  de  acrílico  horizontais  e  sem  edentações  (Fig  4).  Um 

minucioso  ajuste  dos  planos  oclusais  bilaterais  posteriores  foi  realizado  no  momento  da 

instalação do aparelho, de modo a permitir um maior número de contatos oclusais dos dentes 

antagonistas posteriores  inferiores com o plano de acrílico, tanto em relação cêntrica  quanto 

nos movimentos de lateralidade (FALTIN JÚNIOR et al.,1997). 

 

O  tratamento  com  o  aparelho  ortodôntico  removível  com  expansor  anterior  e  alça 

invertida  de  Balters,  permitiu  a  correção  da  mordida  cruzada  dentária  anterior  em, 

aproximadamente, 3 meses,  restabelecendo o equilíbrio maxilo-mandibular normal  por meio 

da reorientação da postura mandibular (Fig 5). 

O  adequado trespasse vertical  e horizontal representou  um  fator indispensável  para o 

controle  da  estabilidade.  Entretanto,  o  mesmo  aparelho  foi  utilizado  como  contenção  ativa  

por, aproximadamente, 3 meses durante o período noturno. 



 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 

 

 

Fig.5- Imagens intrabucais após 3 meses de uso do aparelho 

 

A  análise  das  alterações  decorrentes  do  uso  do  aparelho  foi  realizada  utilizando-se  o 



método de sobreposição conforme preconizado por Ricketts (Fig6). 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

Fig. 6 - Sobreposições de acordo com Ricketts 

1ª.  área  de  sobreposição  –  Efeito  ortopédico 

na mandíbula 

Abertura  do  eixo  facial,  provocada  por  uma 

rotação mandibular no sentido horário 

2ª. área de sobreposição - efeito  ortopédico 

na maxila 

Observou-se um suave avanço do ponto A 

 

 



3ª.área de sobreposição - incisivos inferiores 

Os incisivos inferiores inclinaram-se para 

lingual 

 

4ª.área de sobreposição – incisivos superiores 



Os incisivos superiores inclinaram-se para 

vestibular 

5ª.área de sobreposição – perfil mole 

O perfil do paciente melhorou em 

suas proporções 


 

 



As  sobreposições  realizadas  a  partir  de  telerradiografias  obtidas  no  início  do 

tratamento  e  após  a  correção  da  mordida  cruzada,  evidenciaram  a  ocorrência  de  um 

reposicionamento mandibular com abertura do eixo facial e inclinações dento-alveolares dos 

incisivos superiores para vestibular e dos incisivos inferiores para lingual (Fig 10).

 

Após o restabelecimento da oclusão normal o paciente passou a apresentar uma função 



mastigatória mais equilibrada e eficiente com um perfil facial mais harmonioso (Fig 7). 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

                                  Fig. 7 – Imagens de frente e perfil finais 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

Fig. 8 – Imagens intrabucais finais 

 

A  análise  cefalométrica  da  telerradiografia  final  (tabela  1)  revelou  que  a  maxila 



apresentou o dobro de deslocamento para anterior que a mandíbula relação à base do  crânio 

 


 

 



(respectivamente  de  1,7  e  0,8  graus  para  a  diferença  do  SNA  e  SNB  iniciais  –  finais), 

resultando  num  aumento  da  relação  maxilo-mandibular  de  0,9  graus  (ANB  incial  de  1,2  e 

final  de  2,1  graus).  Pouca  alteração  foi  observada  nos  ângulos  NSGn,  e  nas  distâncias  A-

Nperp  e  Pg-Nperp,  porém,  nota-se  que  houve  uma  tendência  a  aumento  da  altura  facial 

anterior  (AFAI)  e  crescimento  mandibular  com  rotação  anti-horária  (NSGoGn).  Estes  dados 

indicam o sucesso do tratamento instituído e alertam para um controle das fases subseqüentes 

de crescimento mandibular, principalmente o que ocorrerá no surto de crescimento pubertário, 

quando a direção e magnitude de crescimento mandibular influenciarão de forma definitiva a 

relação maxilo-mandibular. 

 

Tabela 1. Medidas cefalométricas iniciais e finais.      



Fase 

Medidas cefalométricas 

SNA  SNB  ANB  NSGn  AFAI  NSGoGn  A-NPerp  Pg-NPerp 

Inicial 

85,4 


84,2  1,2 

62,8 


52,4 

30,4 


-0,9 

-6,1 


Final 

87,1 


85,0  2,1 

62,4 


54,8 

29,7 


-0,8 

-6,7 


 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

Fig. 9- Telarradiografia e Rx panorâmico finais 



 

 

10 



 

 

 



 

 

 

 

 

 

 

Figura  10  A.  Sobreposição  do  traçado  inicial  (preto)  e  após  o  descruzamento  da  mordida 

(azul)  sobre  a  radiografia  inicial.  B.  Sobreposição  do  traçado  após  o  descruzamento  da 

mordida  (azul)  e  final  de  tratamento  (vermelho)  sobre  a  radiografia  intermediária  (após  o 

descruzamento). 

 

 

DISCUSSÃO 

A  interferência  dentária  gerada  pela  mordida  cruzada  anterior,  em  fase  precoce  do 

desenvolvimento  dentofacial,  ao  promover  um  deslocamento  mandibular  para  anterior 

alterando o relacionamento dos dentes superiores e inferiores para uma relação de Classe III, é 

denominada de pseudo Classe III ou mordida cruzada anterior funcional.  

As  forças  oclusais,  geradas  pela  guia  incisal  incorreta  nesta  má-oclusão,  alteram  as 

inclinações  dos  dentes  anteriores,  restringem  o  desenvolvimento  dento-alveolar  da  região 

anterior  da  maxila,  influenciando  gradativamente  o  desenvolvimento  de  mandíbula.  Os 

incisivos superiores tendem a exibir um padrão de erupção lingual e os inferiores vestibular, 

enquanto  a  maxila  sofre  uma  restrição  no  seu  padrão  de  crescimento  ântero-inferior  e  a 

mandíbula é afetada estruturalmente pela alteração no seu padrão funcional.  

O crescimento regional adaptativo da área condilar é importante porque permite que a 

mandíbula  mantenha  uma  correta  adaptação  funcional  com  a  base  craniana  onde  articula.  O 

côndilo e o ramo devem se adaptar às numerosas mudanças funcionais a que são submetidos 

permitindo  assim,  que  o  processo  de  crescimento  e  deslocamento  mandibular  ocorra  de 

maneira adequada (MOYERS, 1984). 

O  deslocamento  funcional  anterior  da  mandíbula  resultante  da  interferência  dentária 

causada  pela  mordida  cruzada  anterior  gera  uma  tensão  excessiva  na  articulação 







 

 

11 



temporomandibular,  que  associada  à  alteração  dos  movimentos  funcionais  mandibulares  de 

abertura,  fechamento  e  lateralidade,  interferem  no  padrão  de  crescimento  mandibular 

promovendo  estímulo  a  um  incremento  ântero-inferior.  (PAYNE  et  al.,  1981;  CROLL  e 

RIESENBERGER, 1987).  

 Assim,  com  o  tempo,  a  mordida  cruzada  anterior  afeta  o  relacionamento  das  bases 

óssea maxilar e mandibular resultando na fase adulta numa Classe III verdadeira, isto é, numa 

Classe III esquelética.  

O  tratamento  em  idade  precoce  elimina  ou  minimiza  os  danos  de  um  crescimento 

anormal  das  bases  ósseas  e  dento-alveolares,  evitando  problemas  periodontais  futuros 

principalmente  no  segmento  anterior  do  arco  dentário,  prevenindo  o  surgimento  de  hábitos 

deletérios  como  o  bruxismo  e  o  desenvolvimento  de  mordidas  cruzadas  esqueléticas  

(PAYNE et al., 1981; CROLL e RIESENBERGER, 1987; VADIAKAS e VIAZIS, 1992). 

Durante o processo de crescimento e desenvolvimento craniofacial, a obtenção de uma 

guia  incisal  normal  e  do  estabelecimento  de  uma  função  mandibular  normal  pode  promover 

um  equilíbrio  das  relações  esqueléticas  maxilo-mandibular  e  minimizar  ou,  na  maioria  dos 

casos, eliminar a necessidade da correção cirúrgica da alteração esquelética que ocorreria sem 

esta  normalização  em  fases  precoces  do  desenvolvimento.  Quando  o  paciente  busca  a 

correção da má oclusão de Classe III na fase adulta, o plano de tratamento geralmente inclui 

compensações  dentárias  nos  casos  de Classe  III incipientes e,  cirurgia ortognática  nos  casos 

de Classe III severas (ISHIKAWA et al., 1999). 

Importante  salientar  que  em  pacientes  com  más  oclusões  de  Classe  III,  os  efeitos 

ortopédicos dependem do padrão de crescimento individual, e do tipo de tratamento realizado 

(ISHIKAWA et al -1998).   

Existem  vários  métodos  de  tratamento  para  a  correção  da  mordida  cruzada  anterior 

funcional ou pseudo Classe  III, todavia um  correto  diagnóstico  e a realização do tratamento 

em uma idade precoce, são fatores importantes quanto à escolha do método que será utilizado 

(WOITCHUNAS  et  al.,  2001).  Dentre  os  tratamentos  que  tem  sido  proposto,  incluem-se  os 

desgastes  compensatórios  de  dentes  decíduos;  a  utilização  da  pressão  digital;  de  planos 

inclinados  de  acrílico,  individuais  e  de  espátulas  de  madeira;  aparelhos  ortodônticos 

removíveis com molas digitais ou com arco progênico modificado; arco palatino com molas 

para vestibularização de  incisivos; Bionator de  Balters  tipo reverso; mentoneiras e máscaras 

para tração reversa. (PROFFIT, 1991; MARTINS et al., 1995). 

Segundo RAKOSI, 1997, o Bionator tipo reverso para o tratamento  da Classe  III  foi 

proposto  por  Balters  para  promover  pressão  sobre  o  arco  inferior  e  liberar  a  região  dento 



 

 

12 



alveolar  superior  na  qual  o  estímulo  de  crescimento  é  desejado,  especialmente  na  fase  de 

erupção  dos  incisivos  permanentes.  O  objetivo  deste  tipo  de  bionator  era  o  de  promover 

pressão  sobre  a  superfície  lingual  anterior  superior  pelo  aumento  da  função  da  língua 

conseguido  pela  utilização  do  arco  lingual  (mola  de  Coffin),  mas  segundo  RAKOSI,  sua 

aplicação  clínica  tem  mostrado  resultados  limitados  causando  apenas  inclinação  vestibular 

dos  incisivos  superiores  e  um  reposicionamento  mandibular  para  posterior  nos  casos  de 

Pseudo Classe III.   

Uma  adaptação  do  Bionator  de  Balters  tipo  reverso  foi  proposta  por  FALTIN  JR.  e 

colaboradores, em 1997, para o tratamento da pseudo Classe III.   Segundo os autores, a alça 

invertida de Balters apresenta boa flexibilidade e, portanto, baixo risco de fraturas, permitindo 

fácil  adaptação  aos  dentes  inferiores.  Seu  desenho,  segundo  os  autores  possibilita  um  maior 

controle  mandibular,  quando  comparado  ao  da  alça  invertida  de  Eschler,  por  apoiar-se  em 

maior número de dentes inferiores.  

Estes autores, avaliaram o resultado do tratamento da pseudo Classe III de 60 crianças 

utilizando  a  alça  invertida  de  Balters  adaptada  em  aparelho  ortodôntico  removível  superior 

aos  5  anos  de  idade.  A  avaliação  de  cefalométrica  mostrou  que  modificações  dento- 

alveolares  possibilitaram  a  correção  da  mordida  cruzada  anterior  e  o  restabelecimento 

equilíbrio do desenvolvimento maxilo-mandibular. Salientaram que as alterações ortopédicas 

observadas  não  foram  significantes,  todavia,  quando  associadas  às  significantes  alterações 

ortodônticas,  possibilitaram  a  obtenção  de  resultados  clínicos  satisfatórios,  com  a 

harmonização  e  adequação  do  desenvolvimento  e  crescimento  facial.    Destacaram  que  o 

aparelho  ortodôntico  removível  com  alça  invertida  de  Balters  tem  indicação  plena  no 

tratamento precoce da pseudo Classe III. 

No  tratamento  apresentado  foi  utilizado  o  aparelho  ortodôntico  removível  superior, 

com  alça  invertida  de  Balters,  conforme  proposto  por  FALTIN  JR.  et  al,  bem  aceito  e 

utilizado pelo paciente devido ao fato da boa adaptação e conforto proporcionado. O desenho 

e  a  localização  da  alça  invertida  de  Balters  favoreceram  este  conforto,  pois  não  havia 

segmento vertical de fio na porção anterior do arco dentário como ocorre na alça invertida de 

Eschler.  A  alça  invertida  do  bionator  para  classe  III  acomoda-se  na  porção  vestibular  dos 

incisivos inferiores, sem comprometer a estética do sorriso, fornecendo uma motivação a mais 

para  utilização  correta  do  aparelho.  A  colaboração  do  paciente  quanto  ao  uso  do  aparelho 

representou  um  fator  de  suma  importância  para  o  excelente  resultado  obtido  durante  o 

tratamento. 


 

 

13 



O plano de mordida posterior incorporado no aparelho, teve como objetivo promover 

o  destravamento  dos  dentes  anteriores  (GRABER,  1977;  SPERRY,  1977;  LUNDSTROM, 

1988) desprogramando a musculatura e auxiliando na mudança postural mandibular, e assim 

facilitar a correção da mordida cruzada anterior.  

A  contenção  após  a  correção  da  mordida  cruzada  anterior  não  depende  apenas  da 

gravidade  da  má  oclusão,  mas  também  do  engrenamento  dentário  anterior,  obtido  após  sua 

correção. Se após a correção da mordida cruzada for obtido um trepasse vertical satisfatório, 

não  se  faz  necessária  a  colocação  de  um  aparelho  de  contenção,  pois  os  incisivos  inferiores 

irão  naturalmente  conter  os  superiores,  mantendo  um  correto  relacionamento  no  sentido 

vestíbulo-lingual (PAYNE et al., 1981).  

O equilíbrio maxilo-mandibular obtido após a correção de más oclusões de Classe III 

representa  um  fator  favorável,  pois  auxilia  no  controle  e  estabilidade  da  oclusão  no  período 

pós-tratamento. ( SATRAVAHA & TAWEESEDT ,1999).  

 

As  alterações  dento-alveolares  observadas  ao  final  do  tratamento  possibilitaram  a 



obtenção do equilíbrio dentofacial  adequado favorecendo a estética e a função mastigatória.  

A  correção  da  mordida  cruzada  anterior  durante  a  primeira  infância,  favorece  o 

restabelecimento  do  processo  de  crescimento  e  desenvolvimento  dentofacial  normal, 

impedindo que alterações dento-alveolares resultem em deformações esqueléticas importantes 

que comprometam o equilíbrio funcional e a harmonia facial.  

 

O  aparelho  ortodôntico  removível  e  alça  invertida  de  Balters,  possibilitou  a  correção 



da mordida cruzada anterior de modo rápido, estético e satisfatório.  

Um  diagnóstico  correto  representa  grande  parte  do  sucesso  de  um  tratamento 

ortodôntico,  haja  vista  que  o  resultado  final  depende,  não  somente  da  competência  do 

profissional,  mas  também  de  outros  fatores  como  variabilidade  individual,  complexidade  da 

má oclusão, idade do paciente e de sua colaboração durante o período de tratamento.  

 

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