DerivaçÃo gástrica em y-de-roux: comprimento das alças e emagrecimento



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Artigo Original

2014;27(Suplemento 1):56-58

DERIVAÇÃO GÁSTRICA EM Y-DE-ROUX: COMPRIMENTO DAS 

ALÇAS E EMAGRECIMENTO 

Roux-en-Y gastric bypass: limb length and weight loss

Antonio Carlos VALEZI,  Antonio César MARSON, Rodrigo Alves MERGUIZO, Fernando Leão COSTA

Trabalho realizado na Disciplina de Cirurgia 

Digestiva do Departamento de Cirurgia 

da Universidade Estadual de Londrina, 

Londrina, PR, Brasil.



DESCRITORES - Derivação gástrica em 

Y-de-Roux. Comprimento de alças. 

Obesidade. Emagrecimento.

RESUMO - Racional:  A derivação gástrica em Y-de-Roux é técnica cirúrgica amplamente 

empregada no tratamento da obesidade. Não está claro, porém, se o comprimento das alças 

biliopancreática e alimentar interfere na magnitude da perda de peso. ObjetivoAvaliar se o 

comprimento dessas alças tem relação com a percentagem de perda de peso, um ano após a 

operação. Método: Cento e vinte obesos foram submetidos à cirurgia entre 2009 e 2011. Eles 

foram inseridos, por sorteio, em qautro grupos: A) alça biliopancreática de 50 cm e alimentar 

de 100 cm; B) alça biliopancreática de 50 cm e alimentar de 150 cm; C) alça biliopancreática 

de 100 cm e alimentar de 100 cm; e D) alça biliopancreática de 100 cm e alimentar de 150 

cm. Analisou-se a idade, o gênero, o índice de massa corpórea e a percentagem de perda do 

peso total. Os dados foram coletados no pré-operatório e um ano após a operação. Os grupos 

foram comparados entre si e a perda ponderal comparada entre os grupos. Resultados

acompanhamento ocorreu em 78,3% da casuística. A composição dos grupos foi semelhante, 

sem significância estatística. A média de idade foi de 43 anos nos grupos A, C e D e de 42 no 

grupo B. O gênero feminino predominou em todos os grupos (cerca de 60% da amostra). O 

índice de massa corpóreo médio foi de 46 kg/m

2

 para os grupos A, C e D e de 42 kg/m



2  

no 


grupo B. A percentagem de perda de peso foi de 33% para o grupo A e de 34% para os grupos 

B, C e D. Sem diferença significante entre os grupos. ConclusãoDiferentes comprimentos das 

alças biliopancreática e alimentar não interferiram na percentagem de perda do peso total.

ABSTRACT - Background: Roux-en-Y gastric bypass is a surgical technique widely used in the 

treatment of obesity. It is unclear, however, if the length of the biliopancreatic and alimentary 

limb  interferes  with  the  magnitude  of  weight  loss.  Aim: To evaluate if the length of these 

limbs is related to the percentage of weight loss one year after surgery. Method: One hundred 

and twenty obese people underwent surgery between 2009 and 2011. Patients were inserted 

into  four  groups:  A)  biliopancreatic  limb  with  50  cm  length  and  alimentary  limb  with100 

cm  length;  B)  biliopancreatic  limb  with  50  cm  length  and  alimentary  limb  with  150  cm 

length; C) biliopancreatic limb with 100 cm length and alimentary limb with100 cm length; 

D)  biliopancreatic  limb  with  100  cm  length  and  alimentary  limb  with150  cm  length.  Age, 

gender, body mass index and the percentage of total weight loss were analyzed. Data were 

collected preoperatively and one year after surgery. The groups were compared and weight 

loss compared between groups. Results: The follow-up occurred in 78.3% of the sample. The 

composition of the groups was similar, with no statistical significance. The average age was 

43 years in groups A, C and D and 42 years in group B. The female gender predominated in 

all groups (about 60% of the sample). The mean body mass index was 46 kg/m

2

 for groups 



A, C and D and 42 kg/m

2

 in group B. The percentage of weight loss was 33% for group A and 



34% for groups B, C and D. There was no significant difference among groups. Conclusion: 

Different lengths of the biliopancreatic and alimentary limbs did not affect the percentage of 

total weight loss. 

Correspondência: 

Antonio Carlos Valezi

valezi@sercomtel.com.br

Fonte de financiamento: não há 

Conflito de interesses: não há

Recebido para publicação: 07/04/2014

Aceito para publicação:  15/07/2014

HEADINGS - Roux-en-Y gastric bypass. 

Limb length. Obesity. Weight loss.



ABCDDV/1060

INTRODUÇÃO

cirurgia bariátrica representa o melhor tratamento para os pacientes obesos, 



por ser método efetivo na redução e manutenção do peso no longo prazo

6,17


O tratamento cirúrgico da obesidade ocasiona perda de peso e melhora das 

comorbidades

2,18


. A derivação gástrica em Y-de-Roux (DGYR) é uma das técnicas mais 

realizadas com essa finalidade; no entanto, não se sabe se fatores técnicos da operação, 

como o comprimento das alças, tem relevância nos resultados

8,19


. O tamanho das alças 

biliopancreática e alimentar e a relação com a perda de peso determinada pela DGYR é 

controverso, existindo dúvidas sobre qual a extensão ideal para elas

16



O objetivo deste estudo foi investigar a relação entre o comprimento dessas alças 

e o índice de emagrecimento, comparando diferentes extensões e a perda ponderal um 

ano após a operação.

MÉTODO

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Universitário da 

Universidade Estadual de Londrina sob o número 026/2008. O Termo de Consentimento 

Livre e Esclarecido foi apresentado e assinado por todos os sujeitos da casuística. Os 

autores declaram não apresentar conflito de interesse na realização deste estudo.

Cento e vinte obesos foram submetidos à DGYR no Hospital Universitário da 



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Universidade Estadual de Londrina, pela mesma equipe, no 

período de janeiro de 2009 a dezembro de 2011. A pesquisa 

foi delineada segundo estudo randomizado e prospectivo. Os 

critérios de exclusão e inclusão dos pacientes no programa de 

tratamento cirúrgico da obesidade, obedeceram os princípios 

da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. 

Para a pesquisa constituiu-se, por sorteio, imediatamente 

antes do procedimento cirúrgico para quatro grupos: grupo A: 

alça biliopancreática de 50 cm e alimentar de 100 cm; grupo B: 

alça biliopancreática de 50 cm e alimentar de 150 cm; grupo C: 

alça biliopancreática de 100 cm e alimentar de 100 cm; grupo 

D: alça biliopancreática de 100 cm e alimentar de 150 cm. 

As variáveis analisadas compreenderam a idade, o 

gênero, o índice de massa corpórea (IMC) e a percentagem de 

perda do peso total. O seguimento da amostra foi realizado 

por um ano. Os grupos foram comparados entre si, quanto à 

sua constituição. A percentagem de perda ponderal foi aferida 

com um ano de pós-operatório e comparada entre os grupos 

nesse período.

Os dados coletados foram armazenados em planilha 

Excel e analisados, posteriormente, através do software 

Statistical Package for the Social Sciences 18.0 (SPSS). Calculou-

se a média e o desvio-padrão para as variáveis quantitativas e 

a comparação entre os grupos se deu pela análise de variância 

(ANOVA). As variáveis categóricas foram comparadas pelo teste 

de Levene. Considerou-se, para todas as variáveis estudadas, 

significância estatística se p ≤ 0.05. 

 

RESULTADOS

O acompanhamento, ao final de um ano, foi possível 

em 78,3% da casuística ou 94 pacientes (24 do grupo A; 25 

do grupo B; 23 do grupo C e 22 do grupo D). 

Analisando-se a composição de cada um dos grupos, 

eles mostraram-se homogêneos em relação às variáveis 

idade, gênero e IMC, não havendo diferença estatisticamente 

significante (Tabela1). 

TABELA 1 – Características demográficas dos grupos

     A

    B

C

D

p

Idade 

(anos)

43,97 


DP= 10,93

42,87 


DP=9,53

43,13 


DP=9,50

43,73 


DP=10,70

0,64


Feminino

(%)

 19 


(63,3)

18 


(60,00)

     19 


(63,33)

17 


(56,66)

IMC 

(kg/m2)*

46,9 


DP= 5,69 

47,64


 DP= 5,72

46,81 


DP=5,50

46,10


DP= 5,39

0,92


*IMC=Índice de massa corpórea; DP=desvio-padrão

O grupo A apresentou perda de peso total de 33,27% 

um ano após a operação; o grupo B, 34,07%; o grupo C, 34% 

e o grupo D, 34% para o mesmo período. Ao comparar-se a 

perda do peso total entre os grupos, no período de um ano 

de pós-operatório, não foi encontrada significância estatística 

entre os grupos (Tabela 2). 

TABELA 2 – Percentagem de perda de peso total para os grupos

 

A

B

C

D

p

% perda de peso

33,27


34,07 

34,00 


34,00 

0,66


Desvio-padrão DP= 2,20 DP= 2,97 DP= 2,16 DP= 2,61

DISCUSSÃO

Utilizou-se a DGYR por ser a operação mais 

frequentemente realizada em serviço dos autores. Sabemos 

que ela apresenta seus resultados, não devido apenas aos 

fatores anatômicos impostos pela técnica, como a diminuição 

da ingestão alimentar pela confecção de reservatório gástrico 

pequeno ou diminuição da absorção, em decorrência 

da reconstrução em Y-de-Roux

13

. Seus efeitos se devem 



também, como resultado de alterações neuroendócrinas, 

que acontecem em consequência das alterações anatômicas 

ocasionadas pela técnica

1,9,15


.

Ainda não está claro se o comprimento das alças 

interfere no resultado da perda de peso

11

. Parece racional 



que quanto mais distal o Y-de-Roux maior será a perda. Antes 

de aprofundar-se no mérito, deve-se fazer a diferenciação 

entre Y-de-Roux de alça longa e Y-de-Roux distal. Este último 

caracteriza-se por anastomose no íleo distal, com alça comum 

de cerca de 75 cm, perda de peso mais significativa, porém 

com aumento considerável no índice de complicações

10



O Y-de-Roux alongado tem variação na medida das alças 



biliopancreática e alimentar, mas com alça comum extensa

4



Neste estudo avaliou-se a percentagem de perda em 

relação ao peso total, não em relação ao excesso de peso. Isto 

torna a coleta de dados mais fácil e como toda a casuística 

foi avaliada da mesma maneira, a adoção desse índice não 

acrescenta viés ao estudo.

Em 1992 Brolin et al.

3

 fizeram estudo prospectivo e 



randomizado comparando a perda de peso em pacientes com 

Y-de-Roux curto (alça biliopancreática de 15 cm e alimentar 

de 75 cm)  e Y-de-Roux longo  (alça biliopancreática de 30 

cm e alimentar de 150 cm) e concluíram que aqueles com 

anastomose mais distal apresentavam perda de peso mais 

significativa,  aos dois anos, sem alterações nutricionais 

significantes. A partir de então pensou-se em alongar o Y para 

os superobesos ou então, nos casos com falha na perda de 

peso e com bolsa gástrica de tamanho normal. 

Sarhan  et al.

14

 compararam  Y-de-Roux padrão e longo 



(250 cm de alça biliopancreática) em superobesos e não 

encontraram diferença; concluíram que o comprimento da 

alça não tem impacto na perda de peso.

Choban e Flancbaum

5

 compararam pacientes com 



diferentes comprimentos de alça alimentar (75 cm, 150 cm 

e 250 cm) e estratificaram a amostra de acordo com o IMC. 

Seus resultados mostraram perda de peso mais significativa 

no grupo com alça de 250 cm e superobesos, aos 18 meses 

de pós-operatório, diferença que desapareceu com 24 meses 

de seguimento. 

Feng  et al.

7

 não encontraram diferença estatisticamente 



significante, em um ano de acompanhamento, ao compararem 

um grupo com alça biliopancreática de 50 cm e alimentar de 

100 cm com outro que apresentava alça biliopancreática de 

100 cm e alimentar de 150 cm.

No nosso meio, Ramos

12

 em trabalho retrospectivo 



analisou pacientes diabéticos com síndrome metabólica, 

divididos em três grupos: alça biliopancreática de 50 cm e 

alimentar de 100 cm; alça biliopancreática de 50 cm e alimentar 

de 150 cm e alça biliopancreática de 100 cm e alimentar de 

150 cm. Concluiu, em acompanhamento de 12 meses, que os 

diferentes tamanhos de alças não influenciaram na perda de 

peso e na melhora da síndrome metabólica.

Este estudo, à semelhança do estudo de Ramos

12



mostrou percentual de perda de peso semelhante nos quatro 



grupos (em torno de 34%) sem, portanto, significância 

estatística.

Sabe-se que este trabalho não apresenta resultado 

inédito. Os achados corroboram dados de pesquisas já 

mostradas anteriormente. A casuística não é tão pequena 

e pretende-se continuá-lo para avaliar se há impacto das 

diferentes medidas de alça na população com diabete melito.

CONCLUSÃO

Diferentes comprimentos das alças biliopancreática e 

alimentar não interferiram na percentagem de perda do peso total.

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